terça-feira, 28 de abril de 2009

Máscara

C oncordo totalmente com o autor do texto que coloquei no post anterior. Escondemo-nos por trás da nossa linguagem, de perguntas retóricas, do humor… Não somos fiéis a nós mesmos, não nos respeitamos, não damos espaço a nós mesmos… Será que ainda o conseguiremos ser, em qualquer altura, caso queiramos?

As consequências não podem ser positivas. Não me admira que exista tanta gente com crise de identidade, medos sociais… Será que pensamos que se deixarmos de ser nós mesmos, os outros deixam de gostar de nós? E será que isso não é ao mesmo tempo verdade e mentira? Mas mais verdade ou mais mentira?

Os outros estão tão alheios, tão metidos para dentro de si mesmos que não querem saber do que realmente os outros são ou sentem. Não estão para se incomodar com isso… As pessoas só gostam de estar e falar com alguém bem-disposto e bem-humorado, alguém sem defeitos, sem problemas, sem crises, sem traumas, de preferência sem uma personalidade demasiado vincada… Se por qualquer motivo a pessoa já não está assim, então já não é a mesma. Mas será que alguma vez o foi?

Quando não ligamos a alguém por essa pessoa estar de baixo e “diferente” do seu eu (?) normal, podemos estar, então, a deixar escapar uma oportunidade de a conhecer melhor ou simplesmente de a conhecer finalmente, ponto final. Eu gosto de aproveitar esses momentos… acho que podem ser os mais ricos na relação, no conhecimento, não só para a pessoa como para quem a está a deixar ser ela mesma.

Quando procedemos assim, escondendo-nos por trás de uma máscara protectora (linguagem, mas não só) deixamos de ser nós mesmos, o Eu deixa de existir e passamos a ser todos apenas seres programados para ser aquilo que os outros esperam. Assim, deixamos de “ser” passamos apenas a “existir”.

1 comentário:

Hera disse...

Esta é uma das partes de que falei no comentário do post anterior, quando disse que o livro revela alguma sabedoria. Eu também concordo com o que escreveste e acho que o principal mal de tudo isto é que as pessoas já não conseguem ser pessoas únicas e verdadeiras, para com os outros e para consigo próprias. Isto porque a sociedade tem padrões tão estabelecidos e manipulantes que as pessoas tornam-se "iguais", modelam-se ao que os outros esperam delas, ao que os outros gostavam que elas fossem e as pessoas tornam-se pessoas "máquinas" de agradar. Não conseguimos revelar o nosso próprio Eu, com medo das represálias, das rejeições, dos desagrados e não temos em conta, que é impossível agradar a toda a gente. Preferimos viver em função dos outros do que de nós próprios, preferimos agir para os outros ao invés de agirmos consoante a nossa maneira de ser, de pensar e de agir/reagir. Tal como dizes, tudo isto faz com que nem nos demos ao trabalho de conhecer a outra pessoa, porque quando ela não corresponde aqueles padrões a que devia corresponder, foge à regra, é diferente do normal, tem problemas, então é um caso que à partida, não vale a pena conhecer.
As pessoas têm tendência a esconder-se por detrás dos outros, a usar a máscara que os outros querem que usemos, a esquecermos a nossa identidade pessoal e as nossas formas únicas de ser... somos como clones humanos que tentamos superar as barreiras sociais, tornando-nos iguais e previsíveis.
Dizes "Assim, deixamos de “ser” passamos apenas a “existir”.
Exactamente, deixamos de ser nós, e passamos a existir para os outros e pelos outros.