Estou no comboio sobre o Rio Tejo a contemplar Lisboa, a nossa bela Capital, cheia de luzes e movimento. Começo a pensar no que representa cada uma daquelas distantes luzes… Luzes, carros, trânsito, pássaros a voar… O mundo não pára! Tanta gente que não conheço, nunca vi nem nunca irei conhecer ou ver, tantas vidas, tantas histórias, tantas tristezas e tantas alegrias.
As nuvens passam, as árvores dançam ao ritmo do vento, as luzes acendem e apagam, os carros provocam filas na estrada e buzinam, ouvem-se burburinhos… Tantas vidas que chegam e vão todos os dias, todas as horas… a vida é assim, é como o mundo, não pára!
Olho para dentro e no comboio passa-se o mesmo cenário. Tantas pessoas que nunca vi e outras que até vejo todos os dias. Semblantes alegres e outros carregados pelo cansaço, o stress ou a tristeza. Não vejo gargalhadas, risos ou simples sorrisos. Vejo pessoas gastas e enfadas pela vida, sem entusiasmo… este é o mesmo cenário que vejo no comboio todos os dias, com ou sem as mesmas pessoas.
Somos tantos, tantos neste mundo. Somos formiguinhas neste planeta gigante. A maioria das pessoas nunca nos viu nem nunca ouvirá falar de nós. Somos um pontinho minúsculo que nada muda. Podemos ser o mundo para alguns, mas não somos nada para o mundo.
Passamos a vida em stress e a pensar no que temos de fazer a seguir por obrigação e não aproveitamos nada do que temos. Às vezes é necessário apanhar um susto para percebermos a sorte que temos e o quão frágil e delicada é a nossa passagem pela vida. Do nada tudo pode desaparecer e isto é tudo tão curto… Custa pensar nisto, não custa?
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