Ultimamente tenho pensado muito na minha própria forma de pensar e sentir e pensado se estarei errada em ser assim e em como poderia alterar esse facto. No entanto, ontem após um momento reflexivo, consegui perceber que o defeito não está em ninguém… nem em mim. Eu tenho de aprender a lidar melhor comigo mesma. Sou uma pessoa muito emocional, muito sentimental e, talvez nesse aspecto, menos racional do que aquilo que deveria ou se espera (ou espero). Deixo-me levar demais pelas emoções e pouco pela lógica e pela razão… isso é mau, a cima de tudo, é mau para mim. É difícil identificar-me com a maioria das pessoas que conheço… E tenho pensado: será que sou eu que sou demasiado infantil para a idade? Será que devia viver as coisas com menos intensidade? Será que devia centrar-me mais em coisas externas dos outros e deixar o interior?
A maioria das pessoas que conheço da minha faixa etária (e pessoas mais velhas) parecem-me frias, calculistas, distantes, materialistas… não falam de si mesmas, não se abrem, não mostram o interior. É tudo muito exterior e pouco interior.
Eu dou muito valor ao que se passa por dentro com as pessoas… preocupações, medos, alegrias, vitórias, derrotas, tristezas, Passado, Presente, ideias futuras, sonhos…
Quando pergunto: “Como estás?”, eu quero mesmo saber… não quero fazer disto um simples cumprimento tipo: “Olá” ou “bom dia”. Por vezes canso-me de tanta superficialidade, de pessoas que parecem perfeitas, das mesmas conversas sobre política, sobre calças ou sapatos (atenção, eu própria falo destes temas e interessam-me… mas estou farta de SÓ se falar disto).
As pessoas já não falam de si mesmas, dos seus dias, do que está verdadeiramente lá dentro, do que sentem, não se dão a conhecer nem querem conhecer a fundo, não têm vontade de estar juntos para além dos momentos formais e obrigatórios, não se planeiam ou realizam actividades conjuntas, não se brinca nem se pode ser diferente, não há cumplicidade… nem querem saber disso. Poderá chamar-se Amizade a relações construídas sobre estes princípios?
Serei um ET? Felizmente tenho conhecido algumas pessoas, poucas mas boas, que até não são assim… ou não parecem ser. Deverei sentir-me culpada por preferir estas pessoas às outras e querer estar com elas e não com as outras? Mesmo quando se sente o dever de se estar com as outras?