No outro dia uma amiga minha virou-se para mim e disse: "Não tenhas orgulho em mim. Tu é que estás no caminho certo... Foste para a faculdade, tens futuro... Eu não."
Eu perguntei-lhe: "És feliz?" E ela respondeu-me: "Sim, muito feliz".
Então eu olhei para ela e respondi: "Então tenho orgulho em ti, se calhar até és mais bem sucedida do que eu".
Esta conversa fez-me pensar em porque é que será que normalmente só se dá valor a quem segue caminhos de vida que são quase pré-determinados? Quando nascemos já todos esperam (e desejam) que a nossa vida tenha um determinado desenrolar à partida: vamos para a escola, entramos na faculdade, vamos trabalhar, casamos, temos filhos e vivemos para a família e para o trabalho. Os acontecimentos paralelos são considerados apenas isso mesmo: paralelos e com inferior importância.
Nem todas as pessoas têm de seguir uma vida pré-definida. Eu estou a seguir... mas espero bem conseguir vir a fazer algo de diferente no futuro. Algo que deixe uma marca diferente e profunda. Não quero ter uma vida igual a tantas outras, em que viver não é uma festa, mas sim um seguimento de obrigações diárias. Este é um dos meus medos... Mas lá está, o medo é uma das causas que nos prende e nos transforma em seres consumidores da vida e não agentes activos da nossa felicidade e do nosso caminho.
Há pessoas que optam por caminhos diferentes e são logo vistas como fracassadas. Não entendo. Esta é a nossa vida, a única que temos o prazer e o privilégio de gozar. Se há pessoas que são felizes com poucos estudos, com trabalhos que não lhes atribuam status social, que não queiram casar e ter filhos ou qualquer outra coisas, o que é que isso importa? O mais importante não é ser feliz e sentir que a vida, de facto, faz sentido?
Não gosto de determinismos e detesto imaginar-me uma futura dona de casa que chega do trabalho, faz o jantar para o marido e os filhos, vê televisão e vai-se deitar à espera do próximo dia que se desenvolverá do mesmo modo.
Acho que a vida é muito subaproveitada por todos nós e isso é realmente pena. Claro que todos temos obrigações e há uns que têm mais sorte que outros, mas mesmo assim acho que nunca aproveitamos esta dádiva completamente... Talvez por pensarmos que temos todo o tempo do mundo, pois tal como uma colega minha me disse "não conseguimos imaginar o mundo sem nós".
6 anos de Henrique
Há 7 anos
2 comentários:
e' verdade td o que disseste. Normamente as pessoas fazem tudo o que as outras fazem, seguem caminhos de vida como se so existisse aquele, é como se todos os outros fossem errados. e depois quando alguem ousa em "variar" o seu caminho, em fazer um caminho diferente é olhada de lado, lá está como dizes é vista como uma fracassada!
tambem nao me vejo a seguir o caminho que toda a gente segue, tal como dizes, tambem quero fazer algo que marque, para que quando me for embora (Nao gst da palavra morrer) seja lembrada e que vá feliz, porque soube aproveitar a vida e fiz algo de util.
Temos de tentar viver a vida, aproveitar esta dádiva! Aproveitar, é claro q nao esquecencdo obrigaçoes..
beijinho**
A perfeita vida de uma pessoa terá que ser: Ir para a escola assim que idade o permitir, ano após ano, concluir mais um ciclo de estudos, até acabar o 12º ano de escolaridade. Depois, entrar para a faculdade, acabar o curso em 3 anos e encontrar trabalho na sua área de formação. De seguida, casar e ter filhos. A partir daí, juntar esses três elementos, o trabalho, o casamento e os filhos. Ir dando umas voltinhas ao fim-de-semana e assim se fazem uns bons anos de uma vida. No entanto, tal como todos sabemos, este percurso, não tem que ser o mais correcto, é apenas o percurso que deve ser feito, segundo o que a sociedade idealiza. Quem disse que uma pessoa que não esteja agora na faculdade não vai encontrar um trabalho que lhe seja mais produtivo, a todos os níveis, no futuro? Quem disse que se casarmos agora não vai resultar porque somos muito novos? Quem disse que não podemos ter filhos agora porque não temos capacidade para cuidar deles? Quem disse que a felicidade e a realização pessoal está nesse percurso tão enraizado nas mentes sociais e que dificilmente e muito lentamente se modificarão? A sociedade! Simplesmente a sociedade, no entanto, nós mesmo fazendo parte da sociedade, não temos que ter os mesmos ideais, a sociedade é composta por pessoas, por pessoas individuais, que constituem uma multidão, onde a maioria ganha com esse tipo de mentalidade. Porém, somos pessoas individuais e isso, já faz toda a diferença. O percurso é o nosso percurso, não o percurso da multidão, o percurso certo é o percurso que nos trará mais felicidade, mais realização pessoal e profissional (sobretudo pessoal). Ainda bem que conseguimos parar e pensar que dentro de um percurso, existem vários caminhos :)
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