No outro dia disseram-me uma frase que me ficou no ouvido. “O ser humano só demonstra aquilo que realmente vale em momentos de provas, quando as coisas não estão bem”. Eu concordei… Quando está tudo bem qual é a dificuldade de sermos amigos dos nossos amigos, de rirmos à gargalhada em grupo, de sermos simpáticos e oferecermos ajuda aos outros? Não é difícil, aliás é muito espontâneo até. Mas quando as coisas estão mal é que se conhece realmente as pessoas. É fácil dizer “adoro-te, nunca me irei separar de ti, aconteça o que acontecer” mas não é tão fácil se o “aconteça o que acontecer” acontecer de facto.
Quantos de nós já pensámos conhecer bem algumas pessoas e pensámos que elas eram nossas amigas e descobrimos que afinal nos tínhamos enganado? Quantos de nós já passámos por provas e reparámos que aqueles que prometeram estar sempre ao nosso lado tinham desaparecido? Quantos já fomos trocados por um "peluche" novo? E quantos já tivemos a experiência de ver as pessoas a tentarem voltar quando o mar já está calmo e o sol a raiar sobre ele?
Apesar disto, considero que o ser humano não demonstra o que realmente vale apenas em momentos difíceis, mas nos momentos demasiado brilhantes também. Quando estamos bem também é difícil reparar no mal que vai à nossa volta ou sentirmos empatia para com aqueles que não estão como nós…
Compreendo tudo isto, mas o difícil não é sinónimo de impossível e por isso gosto de aproveitar estes momentos para olhar à volta e conhecer de verdade aqueles que me rodeiam. Não meçam o valor de alguém por aquilo que eles vos dizem… As palavras são maravilhosas mas grandes contadoras de histórias também. É difícil quando só se conhece bem as pessoas após anos de ilusão.E isso… isso é triste.
3 comentários:
Li,
concordo com tudo o que disseste!
" Mas quando as coisas estão mal é que se conhece realmente as pessoas. É fácil dizer “adoro-te, nunca me irei separar de ti, aconteça o que acontecer” mas não é tão fácil se o “aconteça o que acontecer” acontecer de facto"
Palvras leva-as o vento, as atitudes falam por sim e valem muito mais...por vezes quando mais precisamos as palavras bonitas cegam nos de tal maneira que depois nao reparamos realmente quem será capaz de agir como deveria agir...
cheguei á conclusao que nao conhecço quem me rodeia, ha sempre atitudes que nos desiludem, há sempre interesses...mas enfim..ha de haver pessoas que apesar de raras agem e sao nossas amigas!
O Ser Humano sendo imperfeito como é, há-de ter sempre "arestas por limar" (lol, lembrei-me do T agora), e por isso mesmo há sempre atitudes que revelam essa mesma imperfeição. No entanto, não tenho qualquer dúvida de que é nos extremos que conhecemos as pessoas, é nos momentos muito maus e nos momentos muito bons. No meio-termo normalmente as pessoas têm quase o mesmo tipo de acção, e tal como disseste: é espontâneo.
"É fácil dizer “adoro-te, nunca me irei separar de ti, aconteça o que acontecer” mas não é tão fácil se o “aconteça o que acontecer” acontecer de facto." Isto, porque as pessoas nunca pensam no que pode acontecer, quando dizem: Aconteça o que acontecer". Agem num momento que grande emoção e as palavras não correspondem ao que realmente se está a sentir na altura, isto porque, tal como disse, as pessoas na altura, não estão a pensar em tudo o que pode acontecer, e depois quando acontece, não estão preparadas e é muito mais fácil "fugir", deixar para trás.
Eu concordo que nunca conhecemos bem as pessoas, isto porque nem nunca nos conhecemos a nós próprios, durante a vida, nós próprios nos vamos surpreendendo com atitudes que nunca pensamos que conseguíamos ter (boas e más), nunca conhecemos os nossos próprios limites, a nossa identidade, personalidade é uma constante descoberta. Logo, nunca poderíamos conhecer os outros a fundo. Conhecemos o que é visível, apenas isso. E talvez por isso, esperemos sempre mais das pessoas e acabemos sempre ou quase sempre desiludidos. Nós próprios também desiludimos os outros e muitas vezes, até por coisas que aparentemente, são muito mínimas.
Mas também, ás vezes basta estarmos atentos e conseguimos ter a noção do que podemos ou não contar, relativamente ás pessoas. Há pequenas atitudes no dia-a-dia, que mostram muita coisa.
Concordo totalmente com as duas.
"nunca conhecemos bem as pessoas, isto porque nem nunca nos conhecemos a nós próprios, durante a vida, nós próprios nos vamos surpreendendo com atitudes que nunca pensamos que conseguíamos ter (boas e más), nunca conhecemos os nossos próprios limites, a nossa identidade, personalidade é uma constante descoberta. Logo, nunca poderíamos conhecer os outros a fundo" Exactamente. Se não é possível sequer conhecer-nos totalmente a nós mesmos, como é possível querermos conhecer bem os outros? Não é possível.
No entanto, a essência da pessoa, apesar de também ela ir sofrendo algumas evoluções e alterações ao longo do tempo, essa não muda assim tanto.
Temos de aceitar que as pessoas desiludir-nos-ão sempre que tivermos demasiadas expectativas sobre elas (ou quase sempre), porque não somos perfeitos. Eu já encaro a desilusão como algo natural, faz parte da vida. Contudo existem desilusões e desilusões.
"Há pequenas atitudes no dia-a-dia, que mostram muita coisa". É exactamente isso que me fez escrever este post.
As pequenas atitudes do dia-a-dia são, muitas vezes, as mais elucidativas daquilo que somos e do que os outros são. São as pequenas atitudes que são capazes de desmascarar as belas palavras ou fortalece-las as ainda mais.
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