terça-feira, 17 de março de 2009

Eu sou tantas pessoas numa, daí as dificuldades que por vezes tenho em perceber quem sou eu. A minha excessiva preocupação e timidez não me deixa ser eu própria quando estou com as outras pessoas, forçando-me, inconscientemente, a ser outro alguém que nem eu própria conheço nem quero conhecer, alguém sério. É como se existisse uma obrigação em ser essa pessoa, por muito que eu não queira. Talvez seja medo de que as pessoas me magoem, talvez seja isso que me faça distanciar-me... Não sei.

Quando estou com pessoas com quem estou genuinamente à vontade (raras) aí sim, sou eu. Como eu gosto de ser eu própria. É uma sensação de liberdade tão boa. Quem me conhece verdadeiramente não tem energia suficiente para me seguir durante muito tempo. Sou como uma criança… o meu namorado às vezes até fica acanhado com as figuras que eu faço. Não aguento estar parada, não aguento falar sobre o mesmo assunto durante muito tempo, tenho de brincar, mexer-me, atirar-me para o chão, fazer macacadas, fazer caretas e rir-me… adoro dar aquelas gargalhadas libertadoras que são mesmo verdadeiras. Eu sou assim e gosto. Infelizmente, são raras as pessoas que me conhecem verdadeiramente.

Eu sou uma pessoa feliz e bem disposta, mas não sei porque não o consigo mostrar aos outros. É por isso que digo que me sinto presa, que tenho dúvidas, que não sei quem sou porque não sei ser eu quando quero… e isso irrita-me profundamente. Apesar de a maior parte das pessoas que me conhece, me achar divertida… eu tenho noção de que tenho na maior parte das vezes um semblante carregado com um ar sério e cansado. Porque? Não sei mas não sou eu…

É tão difícil para mim estar à vontade com as pessoas. Devo ser assim uma espécie de anti-social que, no entanto, adora pessoas mas que não sabe estar com elas… Não tem muita lógica, pois não? Raio da timidez.

Mas tenho de admitir que eu também sou esquesita... Digo que não tenho amigos, que não me identifico com a maioria das pessoas que conheço e que não me sinto bem com elas... e depois queixo-me para dentro. Muitos dizem que é defeito meu, mas eu acho que não... Acho que as pessoas estão cada vez mais más e mesquinhas e eu não me sinto bem com pessoas assim. Qual é a piada de estar horas sentada em grupo numa mesa a falar mal dos outros? Os nossos defeitos não nos chegam? Ou qual é a piada de falar todos os dias durante horas intermináveis de sapatos, de maquilhagem, de lingerie, de engates na discoteca e da forma como se gasta ordenados inteiros nessas coisas? Bem, pode até ser muito interessante, mas para mim não é. E eu não tenho culpa disso. Talvez tenha de procurar melhor...

1 comentário:

Hera disse...

Olá Madrinha Liliana.
Espero que não leves a mal estar a opinar sobre as tuas sensações, os teus sentimentos, as tuas dúvidas..
No entanto, parece-me que estas inserida num grande conflito interior, isso de sentirmos que não somos nós próprios, não posso afirmar que acontece com todas as pessoas, mas eu também me sinto muitas vezes assim... principalmente nos últimos tempos, ás vezes paro para pensar: quem sou eu?
Em relação ao (des)interesse que é, estarmos horas a falar mal dos outros ou a falar de compras, etc.. não é um defeito não gostares desse tipo de coisas, muito pelo contrário.
A vida concerteza que tem muito mais para oferecer.
A timidez pode ser muito constrangedora, eu também era muito tímida, ao ponto de quase ter medo de abrir a boca para pedir um copo de água em frente das pessoas, mas agora sou só tímida e não deixo que a timidez controle a minha vida, as minhas atitudes, o meu verdadeiro Eu.
Já pensaste porque é que és tímida? Termos confiança em nós próprios, parece-me um bom começo para dizer adeus à timidez! :)
Desculpa o texto gigante, mas espero que pouco a pouco deixes de sentir isso e comeces a por a timidez de lado :)