
Apeteceu-me escrever um pouco a minha opinião acerca da avaliação nas escolas, após ler, no Diário Digital, a seguinte noticia:
"O Ministério da Educação está a ponderar rever os programas de Português do Ensino Básico, do 1.º ao 9.º ano de escolaridade. A Associação de Professores de Português (APP) não vê, no entanto, necessidade da medida, defendendo antes a aplicação de "critérios de avaliação rigorosos e universais" que garantam a igualdade entre todos os alunos.
Para Paulo Feytor Pinto, presidente da APP, não faz sentido que os critérios de avaliação dos estudantes sejam definidos por cada escola e que "o mesmo aluno possa ter um cinco numa escola e um quatro noutra" porque "não existem critérios nacionais de avaliação", pode ler-se na edição desta terça-feira do jornal Público.
Em vez de um "programa igual e uma avaliação diferente", o Ministério da Educação deveria deixar que os professores fizessem o percurso que quisessem para ensinar os alunos e, no final, os estudantes submeter-se-iam a uma avaliação que obedecesse a critérios iguais para todo o país, defende Feytor Pinto.
O que acontece actualmente é que "os professores vão todos pelo mesmo caminho, cumprem o programa, mas os alunos têm notas diferentes", argumenta.
" Diário Digital
Eu não poderia concordar mais com a opinião de Paulo Feytor Pinto. O facto de a avaliação variar de escola para escola não é algo que, aos meus olhos, me pareça justo. Ao haverem critérios de avaliação diferentes de escola para escola, um mesmo aluno poderá ter notas diferentes consoante a escola em que está. Já estamos habituados a ver estes casos, porém os critérios serem diferentes piora ainda mais esta situação. Justo é haver um programa nacional igual para todos os alunos, tal como existe, e uma avaliação com os mesmos critérios. Com esta opinião, não estou a desvalorizar a diferenciação que deve ser tida em conta nas escolas e sala de aula. Ao haver um programa e avaliação iguais, nada impede um ensino diferenciado consoante as necessidades dos alunos concretos em questão.
Os professores deveriam poder seguir o percurso que achassem melhor no ensino dos programas, essa seria a «chave». Ao haver uma avaliação com os mesmo critérios, um programa nacional e autonomia para o professor ensinar da forma que acha mais conveniente, estariamos, realmente, a garantir a “igualdade entre todos os alunos”. Porquê? Por que os professores teriam a oportunidade de adaptar o ensino aos alunos em questão, não estando presos a tantos padrões e, sendo o ensino diferenciado aos contextos, não se cairá tanto no erro/problema do ensino de pessoas diferentes de forma igual que, como consequência, proporciona diferentes oportunidades aos alunos e uma desigualdade escolar (que em consequência aumenta o abandono escolar, a violência escolar, o insucesso e a revolta à escola). Para que essa desigualdade não se instale, os programas são iguais e as avaliações deverão conter os mesmos critérios finais, para que um aluno de uma determinada escola que tenha mais competências e conhecimentos de Português (por exemplo), não tenha uma nota inferior a um aluno com menos competências e conhecimentos de outra escola. Um bom exemplo da “injustiça” das avaliações é o caso da entrada no Ensino Superior, onde o mérito (médias) condiciona a entrada na faculdade, o problema é que nem sempre um aluno com uma média inferior, tem de ser, realmente, um aluno inferior a um com uma média mais alta. A avaliação é que pode ter sido diferente ao longo dos anos lectivos.
Claro está, que esta opinião poderá ser em muito contestada, pois tenho noção que a avaliação final com os mesmos critérios tende a levar os professores a “agarrarem-se” muito aos conteúdos programáticos, para prepararem os alunos apenas para a prova final, esquecendo-se, muitas vezes, de ajudar os alunos a adquirirem, realmente, as competências que são pretendidas. Mas, quero dizer apenas que acho que muitos professores se esquecem de qual a sua função: ensinar. O que é ensinar? De certo que não é apenas “atirar” conteúdos para que os alunos os “despejem” num exame, sem que os saibam usar, ou estarei errada?






